Sobre a narrativa em terceira pessoa

Boa tarde, leitoras e colegas de escrita!

Essa semana tivemos uma discussão no twitter sobre quem lê e quem não lê em terceira pessoa, então decidi vir aqui com esse post sobre ela. Já escrevi sobre narrativa em primeira pessoa no blog, se quiserem conferir (inclusive, tem uma explicação sobre o que é ponto de vista).

A terceira pessoa é um ponto de vista em que o narrador não é o personagem, mas alguém que pode:

  1. conhecer tudo sobre todos os personagens e contar a história como uma espécie de voz divina;
  2. não conhecer nada sobre nenhum personagem e contar a história como um observador não participante, que relata o que vê;
  3. conhecer alguns personagens apenas (na maioria das vezes, apenas um!) e contar a história na perspectiva desses ou desse personagem.

Temos assim (1) a terceira pessoa onisciente absoluta, (2) a terceira pessoa objetiva e (3) a terceira pessoa limitada.

O site Masterclass elenca algumas vantagens em se escrever na terceira pessoa (independentemente do tipo):

  1. Ela permite uma certa onisciência, fazendo com que o autor possa liberar as informações de maneira mais criativa;
  2. Ela permite que o narrador esteja dentro da cabeça de múltiplos personagens;
  3. Com a terceira pessoa, podemos ter objetividade e narrador confiável;
  4. Ela permite mudar mais facilmente no tempo.

Podemos dizer, também, que a terceira pessoa é compatível com a primeira e, por isso, é possível alterar a voz narrativa dentro de um mesmo livro sem prejudicar a boa técnica e a fluidez da leitura.

Um dos grandes perigos em escrever terceira pessoa, no entanto, é o chamado head-hopping, que significa uma mudança muito brusca de um personagem para outro ou expõe o que muitos personagens estão pensando de uma só vez em um mesmo momento.

O The Write Practice explica que o head-hopping pode prejudicar a intimidade dos leitores com o personagem principal da cena e violar as regras estabelecidas para a narrativa, o que afastaria a confiança do leitor. O ponto de vista é uma dessas regras que se espera respeitada.

Recomenda-se que a mudança de perspectiva de um personagem para outro aconteça em quebras de cena ou até mesmo capítulos, e que não se incluam perspectivas desnecessárias em nossos livros.

Quando você escrever de um ponto de vista onisciente, mova para a cabeça de um personagem diferente em transições determinadas, como a quebra de um capítulo quando a perspectiva de outro personagem for vantajosa para o plot. (Masterclass)

Podemos elencar aqui algumas sugestões para escrever melhor em terceira pessoa, não importa qual delas você escolha:

  1. Use bem os pronomes quando não estiver usando o nome dos personagens;
  2. Não alterne aleatoriamente o ponto de vista (head-hopping). Faça isso apenas em mudanças de cena e capítulo e evite incluir pontos de vistas desnecessários;
  3. Escolha cuidadosamente quem é o personagem central do ponto de vista, ou seja, aquele que melhor poderá centralizar o que está sendo contado na cena;
  4. Na terceira pessoa objetiva, fique fora da cabeça de todos os personagens porque o narrador só sabe aquilo que ele vê;
  5. Na terceira pessoa limitada, lembre-se de que o narrador só sabe o que o personagem central da perspectiva sabe, e nada mais;
  6. Escreva com autoridade, criando um narrador confiável e que possa cativar a atenção dos leitores.

Por enquanto é isso. Voltaremos em breve com um pouco sobre a terceira pessoa limitada, a minha preferida de todas. Beijo grande e deixe seu comentário sobre esse post!

Fontes de pesquisa:

Foto de Jason Rosewell na Unsplash

Tatiana Mareto
Tatiana Mareto

Autora de romances sensuais com finais felizes.

Artigos: 41

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